quarta-feira, 16 de março de 2016

Autismo, comparação e ATEC

Espelho espelho meu: será que existe alguém mais único do que eu?
 (Arquivo/2015)
Se tem uma coisa que não podemos fugir é a tal comparação. Ela aparece, não dá para negar. É veloz como um pensamento inocente, mas não há inocência em comparar, especialmente, se comparamos nossos filhos a outras crianças da mesma idade. E se a nossa criança tiver algum transtorno de desenvolvimento, comparar é um golpe mais baixo ainda, neles e em nós mesmos. 

De qualquer forma eu não me canso de ouvir mães chorosas porque seus filhos autistas não fazem tal coisa que o primo, irmão, amigo, etc., já fazem há muito tempo ou com muito mais habilidade. Também tenho esses momentos, claro. Então, vou lhes passar um exercício simples, que uma mãe mais experiente em autismo me passou há alguns meses atrás, e eu acolhi com toda a confiança do mundo. Se não conseguem deixar de comparar seus filhos, comparem-os, então, com eles mesmos. 

Como assim? Você já pensou em quantas coisas o seu filho autista não realizava há alguns meses atrás e hoje ele já faz com o pé nas costas? É disso que estou falando! Que tal fazer hoje uma lista do que o seu filho realiza (e não realiza) e daqui a alguns meses revisitar essas anotações? Tenho certeza: o que você vai encontrar lá na frente é o retrato de uma criança que evoluiu incrivelmente, contudo, a energia gasta em compará-lo com outra criança com ritmo de desenvolvimento diferente pode ter tirado essas pequenas e grandes alegrias do seu dia a dia.

No meu caso com o Bento, uso uma escala desenvolvida especificamente para crianças com suspeita ou diagnóstico de TEA. Chama-se ATEC, Autism Treatment Evaluation Checklist, cuja pontuação menor indica indivíduos com maior probabilidade de ter uma vida autônoma, apesar do transtorno, enquanto a pontuação maior indica mais comprometimento. Com o investimento em terapia, a passagem da idade e outros fatores aplicados a cada criança, a pontuação pode cair - aliás, esse é o objetivo da comparação periódica. Claro que o ATEC não é a única escala que existe ou a mais confiável e jamais vai substituir um olhar atento de mãe por sobre o seu filho para identificacao de déficits e habilidades. Embora, sirva como uma luva para o uso doméstico. É fundamental dizer que ATEC também não substitui ou exclui a necessidade de uma avaliação profissional.

Abaixo a tabela de pontuação do ATEC e explicação resumida de como interpretar as escalas. A fonte é o blog Estou Autista e se você quiser fazer em português o teste com seu filho basta clicar aqui.


A pontuação do ATEC varia de 0 a 180. Quanto menor a pontuação, melhor.Se uma pessoa tem pontuação zero ou perto de zero, a pessoa não pode ser distinguida das pessoas não autistas e, portanto, pode ser considerada totalmente recuperada. 
ATEC < 30. Este nível coloca a pessoa no top 10 percentil. Uma pessoa com pontuação inferior a 30 ou, melhor ainda, menos de 20 – teria alguma capacidade de conduzir normalmente conversas de duas vias, e mais ou menos se comportar normalmente. Essas pessoas têm altas chances de uma vida normal como indivíduos independentes.
ATEC < 50. Isto coloca a pessoa no nível percentil 30. A pessoa tem boas chances de ser semi-independente. Este nível já é considerado muito significativo.
ATEC > 104. Mesmo que a pontuação máxima é 180, qualquer pessoa com um resultado com mais de 104 pontos já estaria no percentil 90 e é considerado autista severo.

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