terça-feira, 31 de maio de 2016

Receita para não sofrer

Misture tudo com amor (Google Imagens)
Sou uma pessoa positiva. É da minha natureza, não é algo que escolhi e se me fosse dado o poder da escolha não sei se optaria tão certeiramente por ser assim. Não que a vida seja fácil. Não que a maternidade seja um mar de rosas - e não é! De qualquer forma, quando olho uma situação, independente de onde eu esteja localizada nela, prefiro acreditar que vai dar tudo certo do que pensar que tudo vai dar errado. 

Ser positiva, porém, não me afasta de tudo o que há de negativo por aí e não me isenta de ter momentos nebulosos, sentimentos medonhos. E especialmente: não me impede de sofrer. 

Sofro por diariamente ser confrontada com meus limites através das limitações do meu filho. Só não posso deixar que meu sofrimento seja maior que o entusiasmo com o que ele alcança e realiza. Seria injusto com ele que eu, como sua mãe, não pensasse assim. 

O autismo não tem cura. Quando me vejo diante dessa pequena frase de impacto profundo preciso ser real, além de positiva ou negativa. E dentro desse senso de realidade em que a cura não existe - mas a tentação da cura existe, sim - tento manter firme minhas convicções, até as que parecem um tanto absurdas (e o que não é absurdo nessa vida?).

Eu não trato meu filho para que ele deixe de ser autista. Muito menos para que as outras pessoas não percebam que ele é. Se fosse assim, estaria colocando sobre suas costas tão pequenas uma responsabilidade imensa. Trato meu filho para que ele reconheça suas dificuldades e encontre a melhor maneira de lidar com elas. “Lidar” pode significar contornar ou controlar algumas delas e isso vir a refletir em suas relações pessoais e de autonomia. Só que também entendo que há limites a serem respeitados, para preservar sua integridade mental e física. Adequá-lo a um padrão de comportamento ao mesmo tempo em que essa adequação significa sofrimento para ele não me interessa.

Já acreditei que o fato do meu filho ser diferente era o que me fazia sofrer. Depois, prestando mais atenção nele e em mim, percebi que não é bem assim. Eu não sofro por ele ser diferente, sofro porque ainda vivemos num mundo intolerante com a diferença e porque estou o tempo inteiro me jogando ou sendo arremessada à inalcançável missão de prever nosso futuro. 

Nessas horas tenho que fazer uma força tremenda para achar uma brecha qualquer que me permita retornar àquela essência positiva de antes. Por que receita para não sofrer não existe. Aliás, me disponho até a sofrer um pouco mais, desde que seja para ele sofrer menos. 

5 comentários:

  1. Acho que é bem assim que nós paia e parentes de um autista nos sentimos,oi problema é viver em um mundo q não aceita os diferentes e não. Inclusivo.

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    1. Se acreditamos que um mudo que respeita às diferenças pode existir, temos que agir por ele ainda hoje ! Beijos.

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    1. Obrigada, Lucas, pela sua visita e comentário! Abraço.

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  3. Gosto desse toque de realidade. Um abraço imenso.

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